A DRE de clínica de estética é o relatório que parte de tudo o que a clínica vendeu no mês, tira impostos, custos dos procedimentos, despesas fixas e o pró-labore da doutora, e mostra o que sobrou de verdade. Ela responde o que o extrato não responde: a clínica deu lucro ou só movimentou dinheiro? Abaixo, a estrutura linha por linha, um modelo para preencher e um exemplo fictício.
O que é a DRE de uma clínica, em linguagem simples
DRE é a sigla de Demonstração do Resultado do Exercício: uma conta de cima para baixo que começa no que a clínica vendeu e termina no que ficou para ela. Cada linha tira um tipo de gasto, e a última mostra lucro ou prejuízo.
Pense na DRE como uma escada. No topo está a receita do mês; a cada degrau sai uma fatia: impostos e maquininha, custo dos procedimentos, estrutura e o pró-labore da doutora. O que chega ao último degrau é o resultado.
O saldo da conta mistura parcelas de vendas antigas, produto comprado para o mês seguinte e, às vezes, despesas pessoais. A demonstração do resultado separa tudo isso e mostra se aquele mês, sozinho, se pagou.
DRE gerencial e DRE contábil: qual a diferença para a clínica
A DRE contábil é feita pelo contador e serve às obrigações legais e fiscais. A gerencial é feita para a doutora decidir: mais simples, mensal e com as categorias da rotina da clínica.
| Ponto | DRE gerencial | DRE contábil |
|---|---|---|
| Para que serve | Decidir preço, custos e investimentos | Cumprir obrigações legais e fiscais |
| Quem faz | A clínica, a gestora ou um BPO financeiro | O contador da clínica |
| Frequência | Todo mês, em data fixa | Conforme as exigências do regime da empresa |
| Categorias | As da rotina da clínica, como produto e comissão | As do plano de contas contábil |
| Pergunta que responde | "O que eu mudo no mês que vem?" | "A empresa está em dia com a lei?" |
Visão geral para orientar a conversa. Prazos, obrigações e o tratamento de cada conta dependem do regime tributário da clínica.
Os números de partida são os mesmos. Combine com o contador quais documentos ele usa, para que as duas versões não contem histórias diferentes.
A DRE linha por linha, adaptada à clínica de harmonização
A DRE gerencial de uma clínica de harmonização cabe em sete linhas, sempre na mesma ordem, cada uma com um cuidado próprio.
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Linha 1: receita bruta
É o total vendido no mês, antes de qualquer dedução. Protocolo parcelado entra pelo valor total no mês da venda (critério de competência).
Cuidado: receita bruta mostra volume, não sobra. Para ler a qualidade dessa receita, cruze com o ticket médio da clínica.
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Linha 2: deduções e impostos sobre a venda
São os valores que saem da venda antes de ela virar receita da clínica.
O que entra: imposto sobre o faturamento, taxas de cartão, antecipação e estornos. Cuidado: os tributos desta linha mudam com o regime, como Simples Nacional ou lucro presumido.
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Linha 3: custos diretos dos procedimentos
São os gastos que só existem porque o procedimento aconteceu. Com a agenda vazia, seriam zero.
O que entra: produtos aplicados, insumos, descartáveis e comissões por produção. Cuidado: lance o produto usado no mês, e não a caixa inteira comprada para os próximos atendimentos.
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Linha 4: margem de contribuição
É o que sobra depois das deduções e dos custos diretos, e é com ela que a clínica paga estrutura e doutora.
Conta: receita bruta, menos deduções, menos custos diretos. Cuidado: margem baixa não se resolve com mais agenda; acompanhe o percentual com os 8 indicadores da clínica.
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Linha 5: despesas fixas da estrutura
São os gastos que existem com ou sem atendimento: o custo de manter a clínica aberta.
O que entra: aluguel, salários e encargos, sistemas, contador e marketing. Cuidado: despesas anuais, como IPTU e anuidade do conselho, entram divididas por doze, e não só no mês do boleto.
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Linha 6: pró-labore da doutora
É a remuneração mensal fixa da doutora pelo trabalho na clínica. É custo da operação, não sobra.
Cuidado: o pró-labore tem encargos e regras próprias, diferentes da distribuição de lucros.
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Linha 7: resultado do mês
É o que sobra depois de pagar tudo, inclusive a doutora. Positivo, é lucro; negativo, a clínica gastou mais do que gerou.
Conta: margem de contribuição, menos despesas fixas, menos pró-labore. Cuidado: parcelas de empréstimo e compra de equipamento afetam o caixa, mas o tratamento delas na DRE é diferente.
Cada linha da DRE responde a uma pergunta: quanto entrou, quanto custou fazer, quanto sobrou para os custos fixos e quanto ficou de lucro. A ordem importa, porque é ela que mostra onde a margem se perde.
Modelo de DRE simplificado para a doutora preencher
O modelo transforma as sete linhas em uma tabela de três meses: lance os valores em reais e faça as contas das linhas de resultado.
| Linha | O que lançar ou calcular | Mês 1 | Mês 2 | Mês 3 |
|---|---|---|---|---|
| 1. Receita bruta | Tudo o que foi vendido no mês | ___ | ___ | ___ |
| 2. (−) Deduções | Impostos sobre a venda, taxas, antecipação e estornos | ___ | ___ | ___ |
| (=) Receita líquida | Linha 1 menos linha 2 | ___ | ___ | ___ |
| 3. (−) Custos diretos | Produto aplicado, insumos e comissões | ___ | ___ | ___ |
| 4. (=) Margem de contribuição | Receita líquida menos linha 3 | ___ | ___ | ___ |
| 5. (−) Despesas fixas | Estrutura, equipe, sistemas e marketing | ___ | ___ | ___ |
| (=) Resultado antes do pró-labore | Linha 4 menos linha 5 | ___ | ___ | ___ |
| 6. (−) Pró-labore | Remuneração fixa da doutora | ___ | ___ | ___ |
| 7. (=) Resultado do mês | Resultado antes do pró-labore menos linha 6 | ___ | ___ | ___ |
| Resultado sobre a receita | Linha 7 ÷ linha 1 × 100 | ___ % | ___ % | ___ % |
A comparação que vale é a da clínica com ela mesma, mês após mês.
Cinco regras para a DRE fechar igual todo mês
Uma DRE só compara meses se for montada sempre do mesmo jeito.
- Conta só da clínica: nenhuma despesa pessoal passa pela conta da empresa, nem o contrário.
- Data de corte fixa: o mês fecha sempre no mesmo dia, com os mesmos relatórios.
- Uma categoria por gasto: cada despesa tem uma linha certa e não muda de lugar.
- Comprovante para tudo: cada lançamento tem nota, recibo ou extrato que o confirme.
- Pró-labore sempre lançado, inclusive nos meses fracos, com o mesmo valor.
O modelo só é útil se for preenchido com as mesmas regras todo mês. Os valores dos exemplos deste guia são fictícios; cada clínica usa os próprios números.
Exemplo fictício: a clínica que fatura bem e sobra pouco
O exemplo usa números redondos e inventados só para mostrar a lógica da DRE. Não são dados da Yuki Company, não são médias de mercado e não devem ser usados como referência para a sua clínica.
Imagine uma clínica fictícia que vendeu R$ 60.000 no mês e cuja dona achou que o mês foi bom.
| Linha | Conta | Resultado |
|---|---|---|
| 1. Receita bruta | Valor fictício | R$ 60.000 |
| 2. (−) Deduções | 10% da receita bruta, fictício | R$ 6.000 |
| (=) Receita líquida | R$ 60.000 − R$ 6.000 | R$ 54.000 |
| 3. (−) Custos diretos | Valor fictício | R$ 16.000 |
| 4. (=) Margem de contribuição | R$ 54.000 − R$ 16.000 | R$ 38.000 |
| 5. (−) Despesas fixas | Valor fictício | R$ 27.000 |
| (=) Antes do pró-labore | R$ 38.000 − R$ 27.000 | R$ 11.000 |
| 6. (−) Pró-labore | Valor fictício | R$ 12.000 |
| 7. (=) Resultado do mês | R$ 11.000 − R$ 12.000 | − R$ 1.000 |
Todos os números desta tabela são hipotéticos. Refaça a conta com as vendas, os custos, os impostos e o pró-labore da sua clínica.
O que a DRE do exemplo mostra que o extrato não mostra
A clínica parecia ter R$ 11.000 de lucro, mas esse dinheiro era o salário da doutora. Com o pró-labore lançado, o mês fechou no negativo.
A DRE também aponta por onde começar: as despesas fixas levam 45% da receita bruta e os custos diretos, menos de 27%. A conversa seria sobre o peso da estrutura e o valor de cada venda, e não sobre trocar de fornecedor.
Um mês negativo não condena a clínica. Três meses seguidos na mesma direção pedem decisão sobre preço, despesas ou a forma de vender o protocolo full face.
Erros comuns ao montar a DRE da clínica de estética
Os erros mais frequentes fazem a DRE mostrar lucro onde não existe ou esconder o problema real. A tabela traz seis e a correção de cada um.
| Erro | O que acontece | O que fazer |
|---|---|---|
| Misturar contas pessoais e da clínica | Gastos de casa viram despesa e vendas somem | Uma conta só para a clínica e retiradas registradas |
| Não lançar o pró-labore | O salário da doutora aparece como lucro | Valor fixo lançado todo mês na linha 6 |
| Olhar só o faturamento | Mês recorde com resultado no vermelho | Ler sempre até a linha 7 antes de comemorar |
| Lançar a compra de produto inteira | Um mês parece péssimo e o seguinte, ótimo | Lançar só o produto aplicado no mês |
| Esquecer despesas anuais | Onze meses bons e um mês de susto | Dividir IPTU, anuidades e 13º por doze |
| Mudar o critério todo mês | Os meses deixam de ser comparáveis | Seguir as cinco regras de fechamento |
O primeiro erro contamina todos os outros: enquanto as contas estiverem misturadas, nenhuma linha da DRE é confiável.
Quem monta a DRE da clínica e quando fechar o mês
A DRE gerencial pode ser montada pela clínica, por uma gestora ou por um BPO financeiro, desde que tenha um dono fixo. O fechamento acontece no início do mês seguinte, sempre na mesma data.
A rotina tem três momentos: lançar vendas e gastos ao longo do mês, fechar a DRE em data fixa e decidir o que muda em uma conversa curta.
Quando falta tempo para essa rotina, a Yuki Company assume a parte financeira no BPO financeiro para clínicas, incluído no plano Invicta X, dentro da etapa Escala do Método Yuki.
Para descobrir onde está o dinheiro que hoje escapa da sua clínica, você pode pedir o diagnóstico da minha clínica, o Raio-X que abre o trabalho da Yuki.
Perguntas frequentes sobre a DRE de clínica de estética
O que é DRE de clínica de estética?
É a Demonstração do Resultado do Exercício: parte do que a clínica vendeu, tira impostos, custos, despesas e pró-labore e mostra quanto sobrou no mês.
Qual a diferença entre DRE e fluxo de caixa?
A DRE mostra se o mês deu lucro; o fluxo de caixa mostra quando o dinheiro entra e sai da conta. Com parcelamento, a clínica pode ter lucro e caixa apertado.
A DRE gerencial substitui a DRE do contador?
Não. A contábil segue as regras legais e fiscais e é do contador; a gerencial é uma ferramenta interna de decisão, mensal e mais simples.
O pró-labore da doutora entra na DRE?
Sim, antes do resultado. Sem ele, a DRE mostra como lucro o que é o salário da doutora. A distribuição de lucros vem depois e tem regras próprias.
Com que frequência devo fazer a DRE da clínica?
Todo mês, em data fixa no início do mês seguinte, comparando três meses lado a lado a cada trimestre.
O que é margem de contribuição na DRE?
É a linha que mostra quanto sobra da receita depois de tirar impostos sobre a venda e custos diretos dos procedimentos. Ela paga os custos fixos e o lucro, e é o número que mostra quais procedimentos sustentam a clínica.
A verba de anúncios entra na DRE?
Entra, como despesa do mês, e ajuda a calcular quanto cada paciente custa para a clínica. Comparar a verba com o faturamento que ela gerou mostra se os anúncios estão se pagando.
Preciso de contador para fazer a DRE gerencial?
Não. A DRE gerencial é feita para a doutora decidir, com os números do mês, e é diferente da DRE contábil, que o contador faz para fins fiscais. As duas podem usar os mesmos dados, mas respondem a perguntas diferentes.
Quanto deveria sobrar no fim do mês?
Depende do tipo de clínica, dos procedimentos e da estrutura de custos, e não há um número único que sirva para todas. O importante é acompanhar a margem mês a mês e entender o que muda quando ela cai, como mais custo direto ou mais parcelamento.
A Yuki Company ajuda a montar a DRE?
A análise de gestão da Yuki Company organiza os números da clínica em planilha e acompanha faturamento, ticket médio e margem, nos planos Invicta e Invicta X. Veja como funciona a análise de gestão de clínica de estética.



