A DRE de clínica de estética é o relatório que parte de tudo o que a clínica vendeu no mês, tira impostos, custos dos procedimentos, despesas fixas e o pró-labore da doutora, e mostra o que sobrou de verdade. Ela responde o que o extrato não responde: a clínica deu lucro ou só movimentou dinheiro? Abaixo, a estrutura linha por linha, um modelo para preencher e um exemplo fictício.

O que é a DRE de uma clínica, em linguagem simples

DRE é a sigla de Demonstração do Resultado do Exercício: uma conta de cima para baixo que começa no que a clínica vendeu e termina no que ficou para ela. Cada linha tira um tipo de gasto, e a última mostra lucro ou prejuízo.

Pense na DRE como uma escada. No topo está a receita do mês; a cada degrau sai uma fatia: impostos e maquininha, custo dos procedimentos, estrutura e o pró-labore da doutora. O que chega ao último degrau é o resultado.

O saldo da conta mistura parcelas de vendas antigas, produto comprado para o mês seguinte e, às vezes, despesas pessoais. A demonstração do resultado separa tudo isso e mostra se aquele mês, sozinho, se pagou.

DRE gerencial e DRE contábil: qual a diferença para a clínica

A DRE contábil é feita pelo contador e serve às obrigações legais e fiscais. A gerencial é feita para a doutora decidir: mais simples, mensal e com as categorias da rotina da clínica.

DRE gerencial e DRE contábil da clínica de estética: diferenças em cinco pontos
PontoDRE gerencialDRE contábil
Para que serveDecidir preço, custos e investimentosCumprir obrigações legais e fiscais
Quem fazA clínica, a gestora ou um BPO financeiroO contador da clínica
FrequênciaTodo mês, em data fixaConforme as exigências do regime da empresa
CategoriasAs da rotina da clínica, como produto e comissãoAs do plano de contas contábil
Pergunta que responde"O que eu mudo no mês que vem?""A empresa está em dia com a lei?"

Visão geral para orientar a conversa. Prazos, obrigações e o tratamento de cada conta dependem do regime tributário da clínica.

Os números de partida são os mesmos. Combine com o contador quais documentos ele usa, para que as duas versões não contem histórias diferentes.

A DRE linha por linha, adaptada à clínica de harmonização

A DRE gerencial de uma clínica de harmonização cabe em sete linhas, sempre na mesma ordem, cada uma com um cuidado próprio.

  1. Linha 1: receita bruta

    É o total vendido no mês, antes de qualquer dedução. Protocolo parcelado entra pelo valor total no mês da venda (critério de competência).

    Cuidado: receita bruta mostra volume, não sobra. Para ler a qualidade dessa receita, cruze com o ticket médio da clínica.

  2. Linha 2: deduções e impostos sobre a venda

    São os valores que saem da venda antes de ela virar receita da clínica.

    O que entra: imposto sobre o faturamento, taxas de cartão, antecipação e estornos. Cuidado: os tributos desta linha mudam com o regime, como Simples Nacional ou lucro presumido.

  3. Linha 3: custos diretos dos procedimentos

    São os gastos que só existem porque o procedimento aconteceu. Com a agenda vazia, seriam zero.

    O que entra: produtos aplicados, insumos, descartáveis e comissões por produção. Cuidado: lance o produto usado no mês, e não a caixa inteira comprada para os próximos atendimentos.

  4. Linha 4: margem de contribuição

    É o que sobra depois das deduções e dos custos diretos, e é com ela que a clínica paga estrutura e doutora.

    Conta: receita bruta, menos deduções, menos custos diretos. Cuidado: margem baixa não se resolve com mais agenda; acompanhe o percentual com os 8 indicadores da clínica.

  5. Linha 5: despesas fixas da estrutura

    São os gastos que existem com ou sem atendimento: o custo de manter a clínica aberta.

    O que entra: aluguel, salários e encargos, sistemas, contador e marketing. Cuidado: despesas anuais, como IPTU e anuidade do conselho, entram divididas por doze, e não só no mês do boleto.

  6. Linha 6: pró-labore da doutora

    É a remuneração mensal fixa da doutora pelo trabalho na clínica. É custo da operação, não sobra.

    Cuidado: o pró-labore tem encargos e regras próprias, diferentes da distribuição de lucros.

  7. Linha 7: resultado do mês

    É o que sobra depois de pagar tudo, inclusive a doutora. Positivo, é lucro; negativo, a clínica gastou mais do que gerou.

    Conta: margem de contribuição, menos despesas fixas, menos pró-labore. Cuidado: parcelas de empréstimo e compra de equipamento afetam o caixa, mas o tratamento delas na DRE é diferente.

Cada linha da DRE responde a uma pergunta: quanto entrou, quanto custou fazer, quanto sobrou para os custos fixos e quanto ficou de lucro. A ordem importa, porque é ela que mostra onde a margem se perde.

Modelo de DRE simplificado para a doutora preencher

O modelo transforma as sete linhas em uma tabela de três meses: lance os valores em reais e faça as contas das linhas de resultado.

Modelo de DRE gerencial simplificado para clínica de estética, para preencher mês a mês
LinhaO que lançar ou calcularMês 1Mês 2Mês 3
1. Receita brutaTudo o que foi vendido no mês_________
2. (−) DeduçõesImpostos sobre a venda, taxas, antecipação e estornos_________
(=) Receita líquidaLinha 1 menos linha 2_________
3. (−) Custos diretosProduto aplicado, insumos e comissões_________
4. (=) Margem de contribuiçãoReceita líquida menos linha 3_________
5. (−) Despesas fixasEstrutura, equipe, sistemas e marketing_________
(=) Resultado antes do pró-laboreLinha 4 menos linha 5_________
6. (−) Pró-laboreRemuneração fixa da doutora_________
7. (=) Resultado do mêsResultado antes do pró-labore menos linha 6_________
Resultado sobre a receitaLinha 7 ÷ linha 1 × 100___ %___ %___ %

A comparação que vale é a da clínica com ela mesma, mês após mês.

Cinco regras para a DRE fechar igual todo mês

Uma DRE só compara meses se for montada sempre do mesmo jeito.

  • Conta só da clínica: nenhuma despesa pessoal passa pela conta da empresa, nem o contrário.
  • Data de corte fixa: o mês fecha sempre no mesmo dia, com os mesmos relatórios.
  • Uma categoria por gasto: cada despesa tem uma linha certa e não muda de lugar.
  • Comprovante para tudo: cada lançamento tem nota, recibo ou extrato que o confirme.
  • Pró-labore sempre lançado, inclusive nos meses fracos, com o mesmo valor.

O modelo só é útil se for preenchido com as mesmas regras todo mês. Os valores dos exemplos deste guia são fictícios; cada clínica usa os próprios números.

Exemplo fictício: a clínica que fatura bem e sobra pouco

O exemplo usa números redondos e inventados só para mostrar a lógica da DRE. Não são dados da Yuki Company, não são médias de mercado e não devem ser usados como referência para a sua clínica.

Imagine uma clínica fictícia que vendeu R$ 60.000 no mês e cuja dona achou que o mês foi bom.

Exemplo hipotético: DRE de um mês de uma clínica de estética fictícia
LinhaContaResultado
1. Receita brutaValor fictícioR$ 60.000
2. (−) Deduções10% da receita bruta, fictícioR$ 6.000
(=) Receita líquidaR$ 60.000 − R$ 6.000R$ 54.000
3. (−) Custos diretosValor fictícioR$ 16.000
4. (=) Margem de contribuiçãoR$ 54.000 − R$ 16.000R$ 38.000
5. (−) Despesas fixasValor fictícioR$ 27.000
(=) Antes do pró-laboreR$ 38.000 − R$ 27.000R$ 11.000
6. (−) Pró-laboreValor fictícioR$ 12.000
7. (=) Resultado do mêsR$ 11.000 − R$ 12.000− R$ 1.000

Todos os números desta tabela são hipotéticos. Refaça a conta com as vendas, os custos, os impostos e o pró-labore da sua clínica.

O que a DRE do exemplo mostra que o extrato não mostra

A clínica parecia ter R$ 11.000 de lucro, mas esse dinheiro era o salário da doutora. Com o pró-labore lançado, o mês fechou no negativo.

A DRE também aponta por onde começar: as despesas fixas levam 45% da receita bruta e os custos diretos, menos de 27%. A conversa seria sobre o peso da estrutura e o valor de cada venda, e não sobre trocar de fornecedor.

Um mês negativo não condena a clínica. Três meses seguidos na mesma direção pedem decisão sobre preço, despesas ou a forma de vender o protocolo full face.

Erros comuns ao montar a DRE da clínica de estética

Os erros mais frequentes fazem a DRE mostrar lucro onde não existe ou esconder o problema real. A tabela traz seis e a correção de cada um.

Erros comuns na DRE de clínica de estética, o efeito de cada um e como corrigir
ErroO que aconteceO que fazer
Misturar contas pessoais e da clínicaGastos de casa viram despesa e vendas somemUma conta só para a clínica e retiradas registradas
Não lançar o pró-laboreO salário da doutora aparece como lucroValor fixo lançado todo mês na linha 6
Olhar só o faturamentoMês recorde com resultado no vermelhoLer sempre até a linha 7 antes de comemorar
Lançar a compra de produto inteiraUm mês parece péssimo e o seguinte, ótimoLançar só o produto aplicado no mês
Esquecer despesas anuaisOnze meses bons e um mês de sustoDividir IPTU, anuidades e 13º por doze
Mudar o critério todo mêsOs meses deixam de ser comparáveisSeguir as cinco regras de fechamento

O primeiro erro contamina todos os outros: enquanto as contas estiverem misturadas, nenhuma linha da DRE é confiável.

Quem monta a DRE da clínica e quando fechar o mês

A DRE gerencial pode ser montada pela clínica, por uma gestora ou por um BPO financeiro, desde que tenha um dono fixo. O fechamento acontece no início do mês seguinte, sempre na mesma data.

A rotina tem três momentos: lançar vendas e gastos ao longo do mês, fechar a DRE em data fixa e decidir o que muda em uma conversa curta.

Quando falta tempo para essa rotina, a Yuki Company assume a parte financeira no BPO financeiro para clínicas, incluído no plano Invicta X, dentro da etapa Escala do Método Yuki.

Para descobrir onde está o dinheiro que hoje escapa da sua clínica, você pode pedir o diagnóstico da minha clínica, o Raio-X que abre o trabalho da Yuki.

Perguntas frequentes sobre a DRE de clínica de estética

O que é DRE de clínica de estética?

É a Demonstração do Resultado do Exercício: parte do que a clínica vendeu, tira impostos, custos, despesas e pró-labore e mostra quanto sobrou no mês.

Qual a diferença entre DRE e fluxo de caixa?

A DRE mostra se o mês deu lucro; o fluxo de caixa mostra quando o dinheiro entra e sai da conta. Com parcelamento, a clínica pode ter lucro e caixa apertado.

A DRE gerencial substitui a DRE do contador?

Não. A contábil segue as regras legais e fiscais e é do contador; a gerencial é uma ferramenta interna de decisão, mensal e mais simples.

O pró-labore da doutora entra na DRE?

Sim, antes do resultado. Sem ele, a DRE mostra como lucro o que é o salário da doutora. A distribuição de lucros vem depois e tem regras próprias.

Com que frequência devo fazer a DRE da clínica?

Todo mês, em data fixa no início do mês seguinte, comparando três meses lado a lado a cada trimestre.

O que é margem de contribuição na DRE?

É a linha que mostra quanto sobra da receita depois de tirar impostos sobre a venda e custos diretos dos procedimentos. Ela paga os custos fixos e o lucro, e é o número que mostra quais procedimentos sustentam a clínica.

A verba de anúncios entra na DRE?

Entra, como despesa do mês, e ajuda a calcular quanto cada paciente custa para a clínica. Comparar a verba com o faturamento que ela gerou mostra se os anúncios estão se pagando.

Preciso de contador para fazer a DRE gerencial?

Não. A DRE gerencial é feita para a doutora decidir, com os números do mês, e é diferente da DRE contábil, que o contador faz para fins fiscais. As duas podem usar os mesmos dados, mas respondem a perguntas diferentes.

Quanto deveria sobrar no fim do mês?

Depende do tipo de clínica, dos procedimentos e da estrutura de custos, e não há um número único que sirva para todas. O importante é acompanhar a margem mês a mês e entender o que muda quando ela cai, como mais custo direto ou mais parcelamento.

A Yuki Company ajuda a montar a DRE?

A análise de gestão da Yuki Company organiza os números da clínica em planilha e acompanha faturamento, ticket médio e margem, nos planos Invicta e Invicta X. Veja como funciona a análise de gestão de clínica de estética.